segunda-feira, 7 de novembro de 2011

(528)

Quanto tempo, quanta história. Passou do esperado e sinto-me surpresa por tudo isso. Justo comigo, tão prática, tão aquela que falava sem pensar nas consequências e que sempre lidou com isso tão bem. Foi aquela coisa que veio e me desestruturou. Na hora que eu não esperava e também nem queria. Deixei acontecer. Me perdi, pior, nos perdemos juntos. Tanto que estamos perdidos até hoje.

A velha história de “não era tua hora, não era minha vez”, frase que por si só me fez comprar o livro, entendi na prática o seu significado. Não adianta lutar contra, quando vem não importa o que tem pela frente, vem fundo, rápido, intenso. Não dá tempo de pensar, raciocinar, decidir. Nos deixamos levar.  Só sei que lidamos com isso da melhor maneira que soubemos: cada um do seu jeito. Tão diferente, a propósito. Um erro de cálculo. Não era exato, nem nunca vai ser. Foi uma necessidade estranha, uma reciprocidade nunca vista, talvez já nos conhecêssemos mesmo, quem sabe, em outro lugar, outra vida, será?

Incompreensível. Tanto desencontro, desvio de olhar, medo. Orgulho, atos inconsequentes, mágoa. Falta de maturidade. Insegurança ao extremo, histórias mal contadas, um dedo de outras pessoas no meio de tudo. Diz-se uma coisa, entende-se outra. Já não falávamos mais a mesma língua. “Vou ficar longe, não vou responder, não vou mais falar”, como coisa que adiantasse. Quem nos visse sabia de tudo, sem ninguém precisar falar nada. Mudança de plano: acho que podemos ser amigos, afinal não ter dado certo não é um motivo pra gente se afastar tanto. Engano: amizade só de um lado, não existe.

Um eterno “e se” ficou na retórica toda. E eu sabia que o dia de hoje chegaria. Invariavelmente, sempre soube. Me faltava a precisão, talvez um pouco mais de coragem e desapego. Agora não mais. Sempre segui em frente, conheci pessoas novas, mas a vida de algum jeito conseguia me levar até você novamente, coisas que tu nem imagina aconteceram. Por quê? Bom, agora a resposta já não é mais procurada. Vou aceitar como uma casualidade, mesmo que eu não acredite nessas coisas. Tu entrou na minha vida na hora certa, quando deveria, me devolveu a confiança nos outros – mesmo que tu tenha sido o personagem dessa história e isso não se estenda a todas as outras pessoas do mundo – mas, de repente era isso. Só isso. E, garanto que já foi muita coisa, pode crer.

Meu papel na tua vida? Não sei, não sou eu quem deveria dizer. Você cauteloso, pensa nas consequências do que faz e fala. Eu, impulsiva, intensa, muitas vezes falo sem pensar, quero as coisas pra ontem, tenho ideias loucas e pior, faço o que pensei. Ambos se preocupam com o futuro, levam os estudos a sério, gostam das coisas bem feitas, algo em comum. Eu que não aceitava ajuda de ninguém pra nada, me vi pedindo isso pra ti, confiando em ti. Eu deixei meus muros caírem, aprendi a querer tentar, tu continuou como eu era antes disso, pensando “melhor não”, com medo de me e de se magoar. E isso nunca mudou, em nenhum dos lados. Eu querendo conversar, tu evitando. Contando alguma coisa e não sendo respondida. Mostrando minha indignação perante fatos ocorridos, e nada, nada de resposta. Deixou claríssimo, ou ao menos tentou - e conseguiu, devo te dizer - que não se importava com nada disso nem com o que eu falava.


Aceitei. Ninguém é obrigado a gostar nem a se importar com ninguém, sempre achei isso. Também ignorei muita coisa, muitas pessoas, até antes de te conhecer eu costumava agir como tu, então não posso julgar. Mas, sempre chega um momento que a gente tem que decidir não é? Ou se dá um passo pra frente, ou vira as costas e vai embora. Chegou. Já dei muitos passos e não me arrependo de nenhum. Já fiz tudo que achava que deveria ser feito e todas essas coisas me deixaram feliz, muito! Já falei tudo, tudo, tudo que eu queria até o momento – tanto que até rendeu um livro – nem as coisas ruins ficaram de fora e tu sabe disso melhor do que eu.  Levo o que aprendi contigo na certeza que isso me fez bem. E só. Escrevo isso sentindo o coração bater da mesma maneira de quando estava ao teu lado, dividindo a cama contigo, abraçada em ti, pensando em coisas que até hoje lembro. Então, agora é a hora de mudar. Acreditar que se um dia for pra gente se encontrar, a gente se encontra, se for pra ser, vai ser e deu, como sempre costumei pensar. Deixar pra lá, não me importar mais. Talvez até não seja virar as costas e ir embora, isso soa dramático demais, sempre vou querer o teu bem, mesmo longe, talvez seja só deixar tudo assim, mas não mais com reticências, que esperam algo e sim com um ponto final.



Dayane Muhammad



Ao som de Detonautas: 
"eu nunca desisti, não me entreguei, não me deixei levar...
hoje eu acordei com uma vontade enorme de olhar no fundo dos seus olhos...
às vezes eu perco a razão
é que eu não reparei quando você me protegia em silêncio" 

2 comentários:

Mi* disse...

aiai,me identifiquei com isso!

Dayane Muhammad disse...

não importa o tempo que passe, quando chega um ponto final eu me identifico ainda Mi ahahah